21 de set de 2013

Quando o machista não é um monstro


Certo dia desses eu estava na aula de filosofia (maravilhosa, aliás!) e devo confessar que o meu professor se tornou um grande modelo inspirador em diversos aspectos mesmo, o cara é incrível. Até que ele, não lembro o porquê, falou sobre o incidente da Ivete Sangalo que ocorreu mais ou menos há um mês atrás (em que o menino tentou tirar uma foto "por baixo" da roupa dela, já que estava perto do palco e então ela parou o show, exigiu o celular e apagou a foto). Bem, para minha surpresa, lá foi ele criticar a Ivete, chamando ela de "escrota e ridícula" por essa atitude. Para mim, não há dúvidas de que o escroto e ridículo da situação é o garoto, afinal, estando ela sem calcinha ou não, da forma que fosse, ele não tinha o mínimo direito de enfiar uma câmera entre as pernas dela, pois mesmo sendo artista ou "figura pública" como gostam de falar, ainda é uma pessoa, como eu e você e eu não gostaria de que fizessem isso comigo em nenhuma situação. Pois bem, acho que nisso todos concordam. A questão é: como lidar com o machismo que parte justamente de quem você admira ou de alguém de quem você gosta muito? É uma luta diária, my dears. Porque simplesmente toda nossa sociedade está infestada de machismo, everywhere and everyhow: seus pais, seus amigos, seu/sua namorado(a), os livros (até aquele autor que você acha simplesmente brilhante). Enfim, é fácil odiar aquele cara babaca que adora se gabar dizendo que pegou não sei quantas na noite anterior. É fácil detestar esse machismo que parte de gente indiferente à gente ou de que a gente não gosta. Mas eu posso não gostar do meu pai, do meu irmão, do meu melhor amigo? Poder pode, mas... vale à pena? Eu andei refletindo muito sobre isso ultimamente e inegavelmente, é dificílimo, mas às vezes precisamos de uma visão socióloga mesmo nesses casos: eu vivo numa sociedade machista, eu também tenho os meus graus de machismo (é importante reconhecer esse tipo de coisa, porque é a pura realidade), muitos que ainda não consigo superar, e o mesmo se aplica a outras pessoas. Shakespeare não deixou de ser um gênio literário porque foi um machista de carteirinha. Eu continuo achando Nietzsche muito foda, mesmo sendo misógino demais. Bem, não é fácil ser feminista, todas(os) sabemos. Eu já me afastei sim de pessoas porque não consegui mais tolerar certos comportamentos, comentários, pensamentos e posicionamentos. Mas tem gente que ainda importa pra mim e pra caramba e não vou deixar o patriarcado tirá-los de mim (e isso inclui meus livros!).

2 comentários:

Também penso assim. O machismo vem de geração em geração, e precisa ser exterminado aos poucos, sem radicalismo - e é obvio que tem pessoas que não conseguem simplesmente entender que a mulher não é vitima em tal situação -. O negócio é aceitar e ir corrigindo de vírgula em vírgula. Já consegui mudar o pensamento de muita gente assim :)
Parabéns, ótimo texto. :}
Obrigada! Pois é, não é fácil. Mas acho que cada um tem um jeito específico pra lidar com isso e eu escolhi perdoar algumas coisas, porque também não aceito que o patriarcado tire de mim quem eu amo.

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Olá leitor(a)! Bom, eu espero que tenha gostado, mas antes de deixar um comentário, lembre-se de ser educada(o). Sou meiga, mas tenha educação, não custa nada afinal.